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Um proposta diferente de tudo o que você conhece

por Haron Gamal - Crítico literário, professor e doutor em literatura brasileira pela UFRJ. Contato: hjgamal@ig.com.br

“O fim abraça tudo”, menos a poesia

A primeira parte do livro Loja de amores usados, de Carmen Moreno, chama-se “Morte Versus Vida”, eis um trecho do primeiro poema, Movimento: “O fim abraça tudo / que mal se inicia. / Qual feto morto, / na barriga do dia.” Versos prenunciando a vitória da morte, que, inclusive, aparece em primeiro lugar no próprio título.

Poderíamos pensar que para essa devastação impossível de ser contida nada restaria. Mas, mergulhando livro adentro, envolvendo-se no ardor da hora poética, logo se percebe que essa morte, que a tudo e a todos devora, não consegue levar consigo a poesia. Permanece esta como marco de uma vitória, como a vida dos deuses olímpicos, que se não eram tão eternos assim, ao menos o são enquanto duram. E duram até hoje.

Num idioma que, entre tantos poetas difíceis de serem hierarquizados, há um Camões e um Pessoa, a própria opção de escrever poemas torna-se uma temeridade. Mas Carmen Moreno arrisca-se, não teme o desafio, parecendo talhada para tal ofício. A epígrafe inicial, colhida na obra de João Cabral, aponta o propósito: “gosto de chegar-se ao fim, de atingir a própria cinza.”

Em tudo que escreve, ela não deixa ideias nem modos de dizer na superficialidade:

“Ninguém parte: aparta-se de nós / apenas o palpável. / Perde-se a casca densa do amado ser. / Seus sonhos, mirados do Alto, / a terra não morde.”

“Arriscar é ser mais que o medo.”

“Busco o poema como quem se esparrama, / tateando a cama vazia. / Quero, no colo da palavra, / a cor que falta no dia.”

Na segunda parte, “Ecos da Casa”, os poemas percorrem o universo da memória:

“A família se esvai, / por entre os dedos dos anos. / Encardida fotografia. Grande útero decomposto.”

Trata-se, na verdade, de uma memória drummondiana, lembranças que não apenas transmitem saudade, amargor de uma vida sempre vulnerável a perdas, a separações, ao silêncio, mas essa memória também revela o peso da ancestralidade, que permanece em cada um e que é impossível ser descartada.

“A família tomba sobre nós com seus guardados. / Quem seríamos, sem tantas vozes compondo nossos passos?”
Versos que nos lançam à presença perene daqueles que nos antecederam, presenças em pequenos gestos, olhares, palavras perdidas, impossível se livrar do passado, impossível a autossuficiência:

“Meu pai morava no desamparo. / Sorte, que a casa amparava sorrisos nas frestas da cal, / nas tréguas do caos. / E havia alegrias resistentes nos cantos dos quartos, / nas rosas das janelas… / E havia o movimento dos irmãos, / e as mãos da mulher partindo pedaços de pão, / para não perdermos o caminho.”

Mais adiante:  “Tenho minha mãe entre as pernas, / Há anos tento pari-la, pari-la de mim, / mas minha mãe não se desgarra.”

E, ainda uma vez, a própria poesia surge (metaforicamente, é claro) como um meio de salvação, uma barreira capaz de nos proteger das mazelas do dia-a-dia:

“Vem, poema, me salva do sorriso de minha mãe, / da loucura da minha irmã.”

Momento em que alegria e loucura se unem, porque, tanto no universo familiar quanto no percurso da memória, a palavra surge como meio de organização do mundo, não a palavra comum, mas a da poesia, a palavra surpreendente, a palavra até mesmo impossível.

Na terceira parte, “De Cama e Cortes”, o livro enfoca o papel do amor, também como antídoto à solidão, ao caos provocado pela inexplicabilidade da vida. A sedução se faz presente como tentativa de driblar a morte:

“Os amantes se penetram. / Injetam-se um no outro no outro, e perdem o rosto.”

“De que recanto do amor o pássaro da morte / levou no bico o teu beijo.”

A temática da morte, como nos grandes poetas de nossa língua, quase sempre se faz presente no texto de Carmen, ora apontando a dualidade amor versus morte, ora vida versus morte, que na verdade tem como origem o próprio amor.

Apesar da divisão do livro em partes, torna-se impossível ocultar temas recorrentes. Memória, amor e morte sempre reaparecem para configurar uma tessitura poética coesa.

“Acariciar sonhos, / enchendo gavetas de guardados. / Amarelados papéis, roídos por baratas e tempo.”

A última parte, “Sobre Saias e Sobre (saltos)” enfoca especificamente a condição feminina, apresentando questões do tempo, que apontam o papel da mulher na contemporaneidade:

“A mulher que mora em mim tem tantos mundos, / que todos os homens sou eu.” Aqui a mulher tornando-se uma entre todos os gêneros.

“O amor roçou no tempo até esgarçar-se de vez, por excessos. / Quando caminho as coxas roçam uma na outra, por excessos. / Cortar gorduras é exercício estóico (às vezes esmoreço e espreguiço). / Mas tenho apreço pela assepsia da alma: limpo desde menina o lixo entranhado na história.”

Ou ainda: “escondo a barriga sem lipo, / mas a alma – renovada – mostra a cara.” Neste trecho, apresentam-se as exigências da modernidade em oposição ao desejo do eu poético pela autenticidade.

E há também a crítica ao universo masculino, este equilibrado no fio tênue entre o desejo do macho e sua fragilidade, a inobservância do masculino pelo próprio reflexo, difícil de ser admitido:

“viril de crachá / ele é macho de etiqueta / lançar-se no pódio / é sua muleta / Para qualquer suspeito / ele arma sua mira / persegue o gay / que o espelho lhe atira!”

Carmen Moreno é autora de vários livros, tanto de ficção como de poesia. Este Loja de amores usados vem apenas confirmar um talento que há muito se destaca, e revelar uma poeta que sabe trabalhar tanto com os temas universalmente abordado pela poesia, como com aqueles que fazem parte do tempo presente.

Haron Gamal

Loja de amores usados

Carmen Moreno
Editora Multifoco, 119 páginas
Em breve, esta resenha será publicada no jornal Folha Carioca.

Compre o livro aqui no nosso site: http://www.editoramultifoco.com.br/literatura-loja-detalhe.php?idLivro=277&idProduto=282


por Leonardo Simmer

Recentemente a revista New Yorker, publicou artigo http://www.newyorker.com/reporting/2010/04/26/100426fa_fact_auletta sobre a venda de livros online e a guerra travada entre a amazon (kindle) e a apple (Ipad).  No artigo uma informação aparentemente surpreendente. A amazon compra boa parte dos seus livros em formato digital de um cartel formado pelas 4 maiores editoras amercianas pelo valor de U$13,00. Revende os mesmos arquivos em seu site pelo valor de U$9,99, perdendo na operação ao menos 3 dólares por livro vendido. A apple por sua vez, revende por  US$14,99 os livros comprados desta editora, mostrando que pelo menos não quer peder muito dinheiro com essa história – talvez pela experiência, aposta menos na venda de arquivos.

Números como estes indicam que o comércio de conteúdo musical e literário no formato digital de fato não existe na plenitude de suas possibilidades e ainda não é sequer um rascunho do que poderá vir a ser no futuro.A falta de visão a médio e longo prazo de grande parte das empresas produtoras de conteúdo literário e musical faz com que este comércio seja  hoje um apêndice de uma guerra de gigantes do hardware, da qual editoras e gravadoras agonizantes tentam abocanhar algumas rebarbas.

Vendem para esses gigantes o conteúdo digital com preço exorbitante: não é possível que ninguém em sã consciência possa achar que um álbum em formato digital deva ser comercializado pelo mesmo valor do produto físico ou que um livro digital saia praticamente pelo menos valor valor que uma brochura. Mas é exatamente isto que acontece em lojas como itunes  ou mesmo na amazon.

Chris Anderson, editor chefe da revista Wired e autor de livros como A Calda Longa e Free é ainda mais taxativo: a tendência dos preços da maior parte dos produtos e serviços digitais é a de ter um valor de comercialização próximo a 0 (zero). Ou seja, a abundância e a facilidade de produzir e acessar conteúdo faz com que grande parte das pessoas não esteja disposta a pagar por arquivos digitais.

Surge aí um problema: como conciliar o interesse do público consumidor e do artista produtor de contéudo? Como investir na produção de um produto cujo valor tende a ser cada vez mais baixo?

A multifoco Música trabalha todos os dias em busca de respostas criativas para estas e outras questões. Estamos preparando um sistema de comercialização de música online, que pode não trazer todas as respostas, mas certamente contribuirá muito para o desenvolvimento dessa discussão. Neste blog, discutiremos estas questões e apresentaremos nossos projetos. Acompanhe!

A Festa do Leite é uma parceria da Multifoco com  o projeto Saúde Criança Ilha.

O projeto atende a cerca de 200 crianças com lábio leporino e outras deformidades no rosto em tratamento no Hospital Municipal do Loreto, na Ilha do Governador. Com dificuldade de mamar ao seio e de se alimentar, bebês e crianças de até 6 anos correm o risco da desnutrição. O leite supre as necessidades e evita o cancelamento de cirurgias corretivas. A necessidade é de 1200 latas de leite por mês.

O evento festivo na Rua do Rezende será realizado ao ar livre a partir das 14h e terá apresentação gratuita de bandas e venda de artesanato de mães capacitadas pelo projeto e tem como objetico a arrecadação de latas de leite em pó para as crianças atendidas pelo projeto!

A Editora Multifoco oferece infraestrutura de som, mesas, barraca de apoio, e apoio administrativo para liberação da rua junto a Prefeitura.

Bandas Previstas:

Odilon
Desliga da Justiça

Duração: de 14 as 19 horas

Classificação livre

Local: Rua do Rezende

Bem ao lado do casarão sede da Editora Multifoco que fica na Av. Mem de Sá 126 onde estará sendo servida uma deliciosa feijoada a R$18 a partir as 13h.

A Editora Multifoco lança a promoção do Dia da Consciência Negra no Twitter e no Facebook. Para concorrer ao livro “O negro na Polícia Militar”, de Carlos Nobre, siga as instruções abaixo:

No Twitter, RT Quero ganhar o livro “O negro na Polícia Militar” da @edmultifoco. Gente consciente é outra história!

No Facebook, compartilhe a publicação da promoção em nosso perfil para concorrer ao sorteio.

Feliz 20 de novembro pra todos e boa sorte!

A Multifoco Música

por Lino Amorim

O que é MuM?

Alguns chamam a Multifoco Música de selo, gravadora ou produtora, e realmente prestamos serviços que gravadoras, selos e produtoras tradicionais prestam. Porém um olhar mais atento denuncia a MuM como uma coisa mais abrangente, buscando alternativas inovadoras para esses mesmos serviços, e ainda participando de outros aspectos do projeto musical em questão.

Trabalhamos com os nossos artistas de uma forma mais ampla do que simplesmente as vendas de CD. Distribuimos a música de forma digital, orgânica e física, através de downloads, shows e os tradicionais Compact Disks, que na Multifoco não são tão tradicionais assim. Temos vários formatos de encarte com o objetivo de atingir os mais variados públicos. A MuM enquanto selo não faz apenas a distribuição, mas participa também de toda a confecção do material, com uma gráfica própria que produz os encartes de forma sustentável e inteligente, sem a utilização de plástico, com impressão digital e duplicação, que viabilizam o mote maior da empresa que é a impressão por demanda.

E se por esse motivo, a denominação de selo não é adequada à MuM, chamá-la apenas de gravadora, embora seja mais condinzente com a nossa estrutura, pode ser inadequado da mesma forma. A MuM enquanto gravadora, tem a sua disposição uma casa de shows onde realiza gravações ao vivo, ao mesmo tempo em que a MuM enquanto produtora tem a sua disposição todo o casting da gravadora para investir em eventos, dando chance aos seus artistas de lançarem o CD e terem um local para mostrar o seu trabalho.

Se a MuM é tudo isso, e ao mesmo tempo não é apenas isso, com o apoio da Editora Multifoco e do Espaço Multifoco, nos comprometemos apenas em relacionar a Música ao nome da empresa, sem a definição de gravadora, selo ou produtora.

Lançamento de amanhã na Editora Multifoco terá participação de integrantes da Velha Guarda da Bateria da Mangueira e de músicos do Cordão da Bola Preta.

O poeta e jornalista Sérgio Gramático Júnior lança amanhã, dia 11 de novembro, o livro “Carnaval de Poesias” na Editora Multifoco.

Em sua obra, o jornalista dá forma poética ao mundo do carnaval e faz homenagens à significativos personagens e sociedades carnavalescas. “Os versos deste livro, além de ser uma homenagem à grande festa, foram feitos para reforçar a crença sobre uma característica comum ao carnaval e poesia: ambos são necessários”, ressalta o poeta.

Dentre os homenageados no livro estão Haroldo Costa, Dona Ivone Lara, João Roberto Kelly, Velha Guarda da Bateria da Mangueira, Cordão da Bola Preta, Mestre Manoel Dionísio, Delegado da Mangueira e Galo da Madrugada.

A noite de lançamento contará também com atração musical e participação especial da Velha Guarda da Bateria da Mangueira e músicos do Cordão da Bola Preta.

Sobre o autor:

Sérgio Gramático Júnior, 38 anos, é poeta, jornalista e produtor cultural. Sua obra mais recente foi “Maçu da Mangueira – o primeiro mestre-sala do samba”. Além disso, tem premiações em concursos literários e é autor dos livros de poesias “São só poesias”, “Palavras que se amam e formaram versos” e “Eu, a poesia e vício-versa”. Gramático é co-organizador da roda de samba Morada do Samba, no bairro de Botafogo, do bloco carnavalesco Re-Barbas e atuou como co-autor e roteirista do curta-metragem “Velha Guarda de Bateria da Mangueira”.


Carnaval de Poesias

Autor: Sérgio Gramático Júnior

R$ 30,00 / 132 Páginas

Dia: 11 de novembro, quinta-feira, às 19h.

Local: Editora Multifoco - Av. Mem de Sá, 126 – Lapa

telefones: 2507-1901/2222-3034

Suas palmas e gritinhos vão fazer sucesso nas gravações de disco ao vivo dos artistas da MuM (Multifoco Música).

Todas as quartas o show da noite será gravado para ser lançado adiante, numa série de discos ao vivo que é uma das apostas da Multifoco Música.

A nossa sede de eventos no Rio de Janeiro fica na Av. Mem de Sá 126, na Lapa, coração boêmio da cidade maravilhosa.

A programação de novembro está cheia de festas, shows e lançamentos de livro para todos os gostos.

Leia com atenção o nosso quadro de eventos e escolha seus programas favoritos para este mês!

por Rodrigo Amarante

O disco Do Amor é um lembrete de toda beleza afundada pelo medo de não ser cool, de não caber no dial, de não estar na moda. Do Amor é uma dose caprichada da alegria sufocada pelo desejo de ser contundente e profundo, um gole de todo suingue esquecido pela vontade de ser global, uma posta de todo tesão e inteligência dos dedos, sabedoria dos pés. Esse é um disco afirmativo, não é um disco-resposta, reacionário, é um disco-pergunta. Do Amor chega chegando, dança dançando e não quer nem saber. Pra quem não tem a menor idéia de como é o som, é como se os Talking Heads fossem de Belém do Pará, criados no Rio, de fárias no Brooklyn. É feijoada com Tapioca e Steinhegger pra amaciar. Pra quem não entendeu bem, (ou nunca tomou Steinhegger – sorte a sua) sabe quando você vê uma modelo, alta, magra, toda vestida no esquema, maquiada e tudo mais, aquele glamour? Pois Do Amor não tem nada a ver com isso, se fosse uma mulher seria a verdadeira gostosa, a moça de short na calçada da Visconde de Bonfim, cabelo vistoso, pele brozeada, aquela alegria de viver, aquele viço. Do Amor é o tesão sem o qual não há solução.

Leia mais em http://goo.gl/ONYQL

Apostila de graça para os 20 primeiros inscritos no Multibloco!

As vinte primeiras inscrições feitas até dia 7 vão ganhar a apostila oficial do Multibloco de graça no ato da confirmação da matrícula.

Saiba mais sobre a apostila aqui mesmo http://goo.gl/ltYZv

Quem está inscrito já garante o seu exemplar ao confirmar a matrícula.

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