Image 01

Elaine Pauvolid

novembro 6th, 2011 by admin

Elaine Pauvolid é a mais nova autora do selo Orpheu poesias.

Elaine Pauvolid é carioca, de 1970. Autora de: Brindei com mão serenata o sonho que tive durante minha noite-estrela… (Imprimatur/7 Letras, 1998), Trago (edição artesanal, 2002), prefácio de Gerardo Mello Mourão, Leão lírico (edição da autora, 2008).  Participou das coletâneas Rios (Íbis Libris, 2003) e Vertentes, (Fivestar, 2009) organizadas por Márcio Catunda. Publicada em diversas antologias nacionais e da antologia Como angeles em llamas – Algunas voces latinoamericanas del S. XX.- Editorial Maribelina, sello de la Casa del Poeta Peruano/ Lima (abril/2004 – Uruguay). Ganhadora do prêmio Biguá, concedido pela SADE – Sociedade Argentina de Escritores, em 2006. Autora de diversas resenhas literárias nos cadernos literários do Globo e do Jornal do Brasil. Mantém o blog: Confidências de Jokasta, www.jokasta.org, onde reúne a escrita e artes visuais, outra expressão artística a qual se dedica. Estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage de 2003 a 2011.

Pelo selo Orpheu, Elaine Pauvolid, lança seu mais novo livro de poesia O silêncio como contorno da mão.

Abaixo, dois poemas do livro O silêncio como contorno da mão.

.

Coração canino

“A morte é um cavalo seco”
- Ivan Junqueira

.

.

A solidão é uma ave esquálida,
suas penas são parcas.
Possui um bico afiado,
capaz de sangrar duras carnes.
Não gosta de pessoas fortes,
nem gosta de pessoas fracas.
Parece que carrega um mistério e um brilho.
Não ousaram cortar-lhe o pescoço,
também nunca ousaram amá-la de fato;
é um bicho que carrega mágoas.
Costuma andar pelos meios alagadiços
e, apesar do que todos dizem por aí,
a solidão possui um coração canino.

.

***

.

.

Os sapos procuravam
partes cheias de silêncio
Sob instinto silenciavam
Partes cheias de silêncio
Os sapos encontravam.

.

.

Karinna Gulias

dezembro 5th, 2010 by admin

A poeta Karinna Alves Gulias, está no Orpheu.

Karinna Gulias, é  considerada uma das poetas mais interessantes da nova geração da poesia brasileira.

Karinna Alves Gulias (1983), poeta e tradutora niteroiense, recentemente vivendo na Grã-Bretanha, já publicou poemas em blogs e nas revistas Confraria e Zunái, na antologia basileira XXI Poetas de Hoje em Dia(nte) (2009) e na antologia portuguesa referente ao Prémio Literário José Luís Peixoto (2008). Tem também traduções publicadas não só na revista Confraria, como também na revista britânica Avocado. Edita o blog http://beggarsbodyart.blogspot.com/.

.

Pelo selo Orpheu, Karinna Gulias está lançando o livro Terra dos nomes perdidos.

Abaixo, dois poemas do livro Terra dos nomes perdidos:

[Nas distâncias percorridas]

.

Na guerra dos paus
os espaços se contraem.
O alto nunca houve extensão
até homens quererem subi-lo.
O fosso do mar entornou
raso e
misterioso na sua lembrança tardia. Ao por do sol.
O giro da navegação.

.

Navegar ao céu de vácuo entre lentes.
O caminho das tranças ficou aos pássaros,
que retornam suas cabeças ao céu. Seguindo a rota de fogo.
As mulheres e donas estão perdidas,
sem suas estratégias. Evolar.

.

[única é não ter –

.

O céu está de acordo
no coração daqueles que andam.
Vergar é o caminho.

.

De todas as coisas que vergam
tiramos som.
A música dos planetas.

.

Quando um amigo morreu
a lua dobrou de cabeça.
Como um cogumelo no jardim.

.

.

[Sem braços]

.

Sem braços para carregar rebentos.
Filho levou-se pelo vento
ao rio
mais uma vez.

.

Os milhos daquela estação quente
estavam a brotar-lhe no barco.
Os bicos de pássaros castigando o casco.

.

No seu costado estava inscrito o presságio
da próxima colheita.

Paulo de Toledo

dezembro 4th, 2010 by admin

Paulo de Toledo é mais um poeta a fazer parte do selo Orpheu.

Paulo de Toledo é autor do livro de poemas 51 Mendicantos (Ed. Éblis, Porto Alegre, 2007). Publicou as plaquetes Desequilivro (2009) (publicada em parceria com o poeta Rodrigo de Souza Leão) e si lence is (Arqueria Editorial: São Paulo, 2010).

Também publicou poemas, contos, ensaios e traduções em: Babel, Sítio (Portugal), Cult, Coyote,  O Casulo, Sibila, Zunái,  entre outros.. e participou, com ensaios, da edição crítica de Catatau (ed. Travessa dos Editores), obra de Paulo Leminski.

.

Paulo de Toledo está lançando, pelo selo Orpheu, o livro A rubrica do inventor.

Abaixo, quatro poemas do livro A rubrica do inventor:

.

POIEN

no mar morto

afundar

minha pena

.

EU E A POESIA


eu semeio meu dedo médio

como um vero fruto do tédio

nesta hemorroida sem remédio

.

MATEMÁTICA DO ACASO

.

azar

sorte

desiguais

.

sortes

azares

iguais

.

………

se eu me precipitasse

em um precipício

e esse fosse a princípio

uma boca que falasse

e essa decidisse

pôr fim à queda e à sua falácia

e predissesse

qual um vate que musas invocasse

meu destino

e o mais que me coubesse

eu principiaria a rir

como se risse

fosse o passe de mágica

que transfigurasse

o que parecia inevitavelmente trágico

na mais despretensiosa tolice

.

Chiu Yi Chih

dezembro 3rd, 2010 by admin

Chiu Yi Chih, é mais um poeta a fazer parte do selo Orpheu.

Chiu Yi Chih, nasceu em Taiwan (1982). Morou em Hong Kong, China e Macau. É escritor, formado em Letras Clássicas, mestre em Filosofia Antiga pela USP e performer-dançarino do grupo Nutaan (Núcleo Taanteatro – São Paulo). Winner Chiu também tem seus  poemas  e ensaios publicados nas revistas Cronópios, Meio-tom, Casulo, Zunái e Revista Ounão.

Pelo selo Orpheu, Chiu está lançando o livro Naufrágios.

Abaixo dois poemas do Livro Naufrágios:

.

SOBREVIVÊNCIA

.

………….placentas curvam-se

…………………………………..na paisagem de cetim


……………….há um sopro roçando as algemas da esquina

…………………………………………………..noutro lado da praça

……………………………………..com as palavras

…………………….grudadas à garganta

…………………………………………gralhas se amontoaram

………………e sem pressa

……………………….os pés das surdas malhas incham-se

…………….como águas escuras

……….as cômodas

……………soterraram até aqueles que estavam fugindo

………..outros foram sugados nas ruidosas telas

…………………………………….dos escombros vagarosos

……os poetas se refugiaram nas conchas soníferas

……………eu captei os subterfúgios

………………..uma lesma cresceu de dentro do asfalto

………………………….do outro lado da ponte

……………………………meninas macumbeiras enterraram seus tesouros

……………………………………meus instintos falharam na sobrevivência

…….só espero uma epifania

…………..enquanto os gigantes da paralisia

…………………………..desmancham os corpos da cidade

.

VIOLAÇÃO

mãos de verde púrpura. com laivos adelgaçados de anfíbia. numa madrugada de janeiro. quando a garganta se enfuna em peixes e símbolos. laço inconsciente de asas projetadas. provavelmente de escala em escala, com várias interrupções, lágrimas intervalares. na região do epicentro, um hiato indecoroso, uma úlcera inclassificável. embora não se soubesse o motivo de tanto alvoroço. germe viscoso fora de seu circuito. mas nesse mesmo ermo acinzentado onde o vento se isola, a membrana se empina, ah! esforço de Hércules – é também a própria face que se projeta na superfície arredia do outro. cilada embrionária. opróbrio de pouca consistência. tumulto destes vasos acerados enrugando a parte densa do crânio. tortuosa em pinceladas que transcendem ou se desfazem. como se um enorme astro pudesse revesti-la de raios. plasmódios. poligâmica vaidade. e talvez nisso se assemelhasse a uma escarpa de erosões. imperfeita mucosa que se encrespa em minúsculas fendas. florilégio de uma larva ou de um mistério inscrito na rocha feita de opacidade toda fasciculada. sereia cuja asa flameja no asfalto. cardume-ferrugem de algumas efêmeras violações.

Leandro Jardim

novembro 24th, 2010 by admin

Leandro Jardim é o mais novo poeta do selo  Orpheu.  Leandro, é um poeta que  com inteligência transborda no papel uma poesia clara.

Leandro Jardim é poeta, letrista, compositor e comunicador. Com o coletivo riosemdiscurso, coordenou a Fl@p! carioca em 2007 e 2008. Nesse mesmo ano teve seu primeiro livro editado, Todas as vozes cantam (poesia, 7Letras). Antes, porém – em 2006 – já tinha criado a coleção independente Poesia Presente de “minipoemas-cartões-de-presente” por onde lançou seus minilivros Gotas e Pétalas e editou, no ano posterior, o Lusco-fusca da autora Nathalie Lourenço. Colaborador em diversos blogs Leandro Jardim centraliza sua criação no www.florespragasesementes.blogspot.com que apresenta links para seus diversos trabalhos. Além disso, é graduado nas habilitações de Publicidade e Jornalismo pela PUC-Rio, com MBA em Engenharia de Produção pela Trilha/Instituto Nacional de Tecnologia.

Pelo selo Orpheu, Leandro Jardim, está lançando seu mais novo livro Os poemas que não gostamos de nossos poetas preferidos (e outros exercícios ensimesmados).

Abaixo, dois poemas do livro Os poemas que não gostamos de nossos poetas preferidos:

Borra nenhuma


Pensei em versos
sobre a borra do café
anunciando o negrume
amargo dos meus dias
saborosos

seriam assim:
“enquanto eu tomava no c-
opo de requeijão o cafezinho
, pensava nela, quente:
viu quem te vê?”

mas a quem lesse soaria meio
vazio, esquisito, esse talvez prolixo,
ou pior, de comicidade vaga,
aquela poesia tida
contemporânea sem quê
nem porquê

ao invés, então, de jogar
com a paciência do leitor
ou a ideia no lixo
optei, por bem, por isso:
esculhambar tal teor.


Poema de hesitação 56


Programei desconstruir
a primazia da razão
destes tempos editáveis

de negável separação
do que bate ao centro e pulsa
e do que pensa e pensa não.

No caminho, marinheiro,
armei um nó de compreensão
claro, inatável, e caro

bom amigo perdoe-me
a confusão e o umbigo
dessa poética que beiro.

Só o que queria, veja,
a poesia de centelha.
E o que eu queria só, isso

consegui, uma solidão
que é minha e talvez de alguns
poucos que se propõem ao esforço

de entender que entender é
também tocar-se pela dúvida
aguda da muda música.

Casé Lontra Marques

setembro 12th, 2010 by admin

Casé Lontra Marques é outro poeta a integrar o selo Orpheu. Considerado pela crítica um dos  poetas da nova geração que vem se destacando no cenário da Literatura Brasileira.

.

.

Casé Lontra Marques nasceu em 1985. Publicou os livros: Saber o sol do esquecimento (Aves de Água, 2010); A densidade do céu sobre a demolição (Confraria do Vento, 2009); Campo de ampliação (Lumme Editor, 2009); Mares inacabados (Flor&Cultura, 2008).

.

Pelo selo Orpheu, Casé Lontra Marques está lançando o livro Movo as mãos queimadas sob a água.

Abaixo um dos poemas do livro Movo as mãos queimadas sob a água:

.

(DE SOBREAVISO)

.

invado uma visão inventada,
cuja
instabilidade não prejudica

minha
elaboração,
pois a faço
nascer não do esforço,

mas
do fracasso

da precisão; uma visão

que
atiro ao atrito,

que
lanço à laceração;

uma visão

de que me destituo
para
a manter em constante

conflito,

em
constante

construção,
como
o murmúrio

a que me vinculo

quando
intrometo

o meu
desconhecimento,

a minha
insuficiência

no intervalo
de um tempo

dedicado — apesar de escasso —

à extensão,
tentando ver,

tentando
mastigar o que também

puder se doar,
depois
de penetrar o abandono,

a incompreensão,

o que
também

puder se expor

a um ritmo
quando

muito intuído,

que
nos sobreleva

enquanto
respiramos

apenas
coagidos

Samantha Abreu

agosto 8th, 2010 by admin

A poeta Samantha Abreu é outra voz a integrar o selo Orpheu. Samantha Abreu, 1980, nasceu e ainda vive em Londrina, Paraná. Estudou Letras na Universidade Estadual de Londrina e cursa Marketing pela Universidade de Uberaba.

Já foi publicada em antologias, em sites de literatura como Cronópios, Germina e Escritoras Suicidas, além de revistas literárias como a Coyote, Minguante, Lasanha, etc.

Tem um projeto de vídeo poema no Youtube, escreve no blogue Haute Intimité desde 2004 e também no blogue da série Mulheres sob Descontrole.

Pelo selo Orpheu, Samantha Abreu está lançando o livro Fantasias para quando vier a Chuva.

Abaixo, um dos poemas do livro Fantasias para quando vier a Chuva:

.

Certa beleza

.

Existe uma beleza nos olhos
de quem sofre
que transborda,
rubra,
em busca
das pequenas
horas.

Há beleza no toque,
no verso
no passo.

Um descompasso
mudo.
Um traço ínfero
de febres suspensas, um
sortilégio
inefável e reluzente.

Wilmar Silva

agosto 8th, 2010 by admin

Um dos mais novos poetas a entrar para o selo Orpheu é o poeta Wilmar Silva. Considerado pela crítica um dos nomes mais fortes da nova geração da poesia brasileira, Wilmar Silva integra esta coleção com sua poesia transgressora.

Wilmar Silva nasceu na cidade de Rio Paranaíba (MG) em 1965. Vive em Belo Horizonte desde 1986. Poeta, ator e perfomer, vêm chamando a atenção da crítica por sua poesia transgressora, inventora de linguagens, criando o seu próprio “dicionário poético” como escreve o crítico Leonardo Magalhaens. Publicou alguns livros de poesia, entre os quais: Çeiva (Brasil, 1997), Pardal de rapina (indicado por Aécio Cunha/jornal Hoje em Dia, Belo Horizonte-MG, como um dos três melhores livros de poesia publicados em 1999), Arranjos de Pássaros e Flores, (Brasil, 2002), Cachaprego (prêmio Capital Nacional Sociedade de Cultura Latina do Brasil, Aracaju, Sergipe, Brasil, 2004), Anu (Brasil, 2008), Estilhaços no Lago de Púrpura/ Astillas en el Lago de Púrpura (Brasil/ República Dominicana, 2009), Estilhaços no Lago de Púrpura/ Lágrimas en el Lago de Púrpura (Argentina, 2009), Yguarani (Portugal, 2009), Silvaredo (Brasil, 2010), Estilhaços no Lago de Púrpura/ Astillas en el Lago de Púrpura (República Dominicana, 2010). Encenou performances com pesquisa de linguagem física sonora: Afrorimbaudelia, Subida ao Paraíso, O sétimo Corpo, Ee Tu Mao, Eusmaranhados, Neonão. Participou das antologias: Antologia da Nova Poesia Brasileira (Brasil), A Poesia Mineira no Século XX (Brasil), Oiro de Minas a nova poesia das Gerais (Portugal), Máscaras de Orfeo (República Dominicana). Editor/fundador da editora Anome Livros e organizou as antologias: O achamento de Portugal (Anome Livros), Terças Poéticas: jardins internos (Fundação Clóvis Salgado). Curador do projeto de poesia Terças Poéticas (Secretaria de Estado de Cultura, MG). Trabalha no projeto de pesquisa de poesia Portuguesia: Minas entre os povos da mesma língua, antropologia de uma poética, 1º. ensaio em livrodvd com 101 (cento e um) poetas de Portugal, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Brasil (Minas Gerais), publicado em 2009. Faz o programa de poéticas sonoras Tropofonia, um laboratório de sons e palavras, rádio educativa UFMG (104,5). Blog: www.cachaprego.blogspot.com.

Pelo selo Orpheu, Wilmar Silva, está relançando os livros Estilhaços no Lago de Púrpura e Cachaprego, dois livros que simbolizam o melhor de sua poesia.

Abaixo, fragmento dos dois livros:

28

devasso como um cavalo no pasto sem égua,
quem é você que diz calado cavalgar a noite/
e cavalgar a noite é como cavalgar os poemas
que escrevo com sangue neste lago de veneno/
é minha esta corrente de púrpura de sangue/ eu
sou esta represa onde peixes nascem da terra,
no ermo eu sou esta ave ferida de verde/ eu
caço você e caço a face e caço a alma, eu
o mesmo com lágrimas e orgasmos, uma íris,
umas retinas para trazer os olhos à tona/ eu
este wilmar silva que vira cavala eu cavalo

(Estilhaços no Lago de Púrpura)

.

.

ladoalerdoum mosquito quefesteja umamecha é o mesmo quevem de algumlatido

ladrando meu calcanhar de peregrino que avança um sinal meio a desatino eu que

serro na motoserra de caminhar em localdaerisco arroisco a juriti presa alinhada

aofrontaldoadro umganidode coito e que coiotse é meuálibi de anislis entsredes

que precoces mostram os juelhos as coxas de visgo para esfaquear  avloupia e

lavouram todaretina que resvala para o meio cerradoserrano da espécie que imam

osdedos as línguas salivasalobralisa medra uma poça desuorcitrino na dançaárida

vem olodosangue de umanimal que leva nos punhos a mesma lata para cima e

depois a mesma lata para baixo agranizoa pontaesguiadonariza frente daparede

que sobe a secoserpente pelo espaço de vergasta e guinchos que emperram

as plantas adospéspisadosemespinhos e mais o sabor suadode sabom abacateadso e

a lêndeas que se apropriam renteatesta a mesma antena quesuspende os campos

molhados dos cabelos penteados entre dedoscaleados avapor ecalor oodor que

nasce entre plumas e axilas

(Cachaprego)

Bruno Prado Lopes

agosto 8th, 2010 by admin

Bruno Prado Lopes também está no selo Orpheu.

Bruno Prado Lopes – b.p.l2.f. Nasceu em São Paulo (SP), em 1981. Poeta, roteirista e tradutor, participou da antologia O Conto Brasileiro Hoje (RG Editores – 2005), e Poesia Sempre (Biblioteca Nacional – 2010), além de publicações em revistas eletrônicas como TriploV e Germina Literatura.

Site do autor: http://brunopradolopes.com/

Bruno Prado Lopes estreia o selo Orpheu com o livro Fraturas.

.

.

.

.

Abaixo um dos poemas do livro Fraturas:

.

AMO UMA MULHER

de riso longínquo

uma maçã verdoenga
com espinhos —

duas pedras
de esverdinhada lonjura;

os olhos invioláveis —

amo uma mulher de furiosa loucura
e céu glauco na fronte

com uma face
inebriada de aurora
e magnólias na cabeça —

sofro do amor perfurado;
da flecha lírica

com a violência do suspiro
e aves ensandecidas no peito

amo toda uma constelação de faces
com orvalhos nas pálpebras
e um longo rio de lótus negra nos cabelos —

o meu amor vívido
é uma mulher com colo precioso

repleta de cerejeiras no ventre

e mãos doces

bebendo a água pelos dedos

Jorge Pieiro

agosto 8th, 2010 by admin

Mais um poeta a fazer parte do selo Orpheu, é Jorge Pieiro.

Nascido em Limoeiro do Norte (CE) em 1961, Jorge Pieiro é mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Ceará. Co-edita a revista Caos Portátil – Um almanaque de contos, e colabora como cronista da revista Germina, assinando a coluna “No rasto de panaplo”(www.germinaliteratura.com.br). É autor, entre outros, de Caos portátil (1999); Os sonhos de Josafá (2006/2007); Bolha de Osso (2007) e A grande casca do S (2008).

Pelo selo Orpheu, Jorge Pieiro está lançando o livro Umbigo de Ebderelis, obra a qual recebeu o prêmio Programa de Autores com Obras em Fase de Conclusão, da Fundação Biblioteca Nacional, em 2009.

Abaixo um dos poemas do livro Umbigo de Ebderelis:


última confirmação

O ventre resiste ao fruto.
Nunca estivemos tão paridos de vazios!
Remodelo a minha cara com cicatrizes. Gesto por jamais.

– Oh! vocábulo de eterna labareda –
ter conseguido te moldar neste barro sem vida… Agora reacendo o intestino dos vulcões com a minha ira construída

nos cadafalsos do paraíso.
E, por amar estes diabos invisíveis,
amei apenas o delírio.

Ou a morte.

Virna Teixeira

agosto 8th, 2010 by admin

Também pelo selo Orpheu está a poeta  Virna Teixeira.

Virna Teixeira nasceu em Fortaleza (CE) em 1971. Poeta, tradutora e neurologista. Vive em São Paulo. Tem 3 livros de poemas publicados: Visita (2000) e Distância (2005) pela 7 letras e Trânsitos (2009) pela Lumme Editor. Publicou também os livros de tradução Na Estação Central, do poeta escocês Edwin Morgan (Editora UnB, 2006); a antologia de poesia escocesa Ovelha Negra (Lumme, 2007); Libro Universal, do poeta chileno Héctor Hérnandéz Montecinos, em parceria com o tradutor Vanderley Mendonça (Demônio Negro, 2008) e Cartas de Ontem, do britânico Richard Price (2009). Tem participado em diversas antologias de poesia no Brasil e exterior. Seu livro Distância foi traduzido e editado no México (Lunarena, 2007) e também teve um livro publicado na Argentina (Fin de siècle, Coleção Chicas de Bolsillo, Universidad de La Plata). Organizou vários encontros nacionais e internacionais de poesia e atualmente é responsável pela Arqueria Editorial (www.arqueria.wordpress.com), que edita plaquetes artesanais.

Pelo selo Orpheu de poesia, Virna Teixeira está relançando o livro Visita.

Abaixo um dos poemas do livro Visita:

.

Volátil

percorria o cenário:
olho veloz
turbilhão de movimentos
atentos
abria um buquê
de deli-
cadezas
descrevia uma curva no ar
uma curva na curva
do lugar onde
……….[se esconde.

Edson Bueno de Camargo

agosto 8th, 2010 by admin

Edson Bueno de Camargo, é outro poeta a estreiar o selo Orpheu.

Edson Bueno, nasceu em Santo André (SP), em  1962.  Publicou em diversas revistas, dentre as quais se destaca Confraria 2 anos (2007), O Casulo (2008) e da Revista Literaria Remolinos (Uruguai, 2008) .  É autor dos livros De Lembranças & Fórmulas Mágicas (2007); O Mapa do Abismo e Outros Poemas (2006),   e Poemas do Século Passado-1982-2000 (2002).

.

.

.

.

.

Pelo selo Orpheu, Edson Bueno de Camargo está lançando o livro Cabalisticos.

Abaixo um dos poemas do livro Cabalisticos:

o som que há em tudo

hoje amanheci com um peixe dentro do ouvido
e este me contava todas as histórias desde o princípio do mundo
de quando as novas coisas ainda eram velhas
vestidas do útero da terra

corri com o chacal e senti o cheiro do medo e o gosto da morte
e me pintei com o sangue do animal que abati
e chorei seu espírito e seu sacrifício

dancei sobre o fogo dos vulcões imemoriais
e respirei de novo pelas guelras o sal do primeiro mar
dormi sob o manto da primeira longa noite
na vigília do primeiro coiote sobre a terra

e a velha anciã me levou para o topo de todos os lugares
e me apontou as estrelas que caíam do céu
e de como somos filhos delas
seus dedos magros e secos se encheram com meus cabelos
e sonhei o sonho de todas as coisas
e que eu estava em todo o lugar

chorei todas as tristezas do mundo
e minhas lágrimas correram como torrentes montanha abaixo
e meus pés criaram raízes
e me tornei uma grande árvore
e fui abatido por um grande raio
e sua voz era como o som que há em tudo
e queimei até só sobrarem cinzas
para que tudo principiasse novamente
e vi minha semente nos olhos de meu neto

Claudio Daniel

agosto 8th, 2010 by admin

Outro poeta a fazer parte do selo Orpheu,  é Claudio Daniel.

Claudio Daniel é poeta, tradutor e ensaísta. Publicou, entre outros títulos, os livros de poesia Sutra (1992), Yumê (1999), A sombra do leopardo (2001, prêmio Redescoberta da Literatura Brasileira, oferecido pela revista CULT), Figuras Metálicas (2005), Fera Bifronte (2009), que recebeu a bolsa de criação literária da Funarte, e Letra Negra (2009). No campo da ficção, publicou o livro de contos Romanceiro de Dona Virgo (2004). É editor da revista de poesia e debates Zunái (www.revistazunai.com) e organizou festivais e eventos literários, entre eles o Tordesilhas, Festival Ibero-Americano de Poesia, realizado em São Paulo em 2007, e o Artimanhas Poéticas, realizado no Rio de Janeiro em 2009. Como tradutor, publicou a antologia Jardim de camaleões, a poesia neobarroca na América Latina (2004), além de livros do poeta argentino Reynaldo Jiménez, do uruguaio Victor Sosa, do dominicano Leon Félix Batista  e do cubano José Kozer, entre outros. Em 2005, lançou a antologia Ovi-Sungo, 13 Poetas de Angola.

Pelo selo Orpheu de poesia, Claudio Daniel está relançando o livro A sombra do leopardo.

.

Abaixo um dos poemas do livro A sombra do leopardo:

Dante

(Inferno, I, 31-42)

Um jardim, ver a sombra e além
da estrela, ver a terra
furiosa; tempo
é o que incendeia,
fera — insânia —
esfera; e de esfera
em esfera, afoga
teu suplício
em gruta de ecos.
Chora, do fundo
do olho, clama
ao Deus cabalístico.
Até vislumbrar
a sombra do leopardo;
até saber que forma
é vazio, silêncio
(ou brancura)
oculto em palavra
e paisagem.
Até saber que Dor
é um modo de ver
o escuro, outra
hipótese
de luz.

1999

..

Marcelo Ariel

agosto 8th, 2010 by admin

Estreando a coleção Orpheu está o poeta Marcelo Ariel, considerado um dos grandes poetas da nova geração da poesia brasileira.

Nascido em Santos (SP) em 1968, Marcelo Ariel estreiou na poesia com o livro Me enterrem com a minha Ar-15 (Dulcinéia Catadora, edição artesanal, 2007); depois lançou os livros Tratado dos Anjos Afogados (Letraselvagem, 2008)  e O céu no fundo do mar (Dulcinéia Catadora, edição artesanal 2009). Poeta e dramartugo, Marcelo Ariel, é melhor visto como poeta transgressor ao unir diversas camadas de linguagem do mundo pós-moderno a poesia.

A coleção Orpheu tem o prazer de estreiar com o poeta Marcelo Ariel lançando sua obra Conversas com Emily Dickinson.

.

Abaixo um dos poemas do livro Conversas com Emily Dickinson:

.

CARTA PARA A MORTE

Imagino Camões, a vala onde morto estava;
O quarto onde encontraram o cadáver de João Antônio;
O sapato que Antonin Artaud segurava;
No paletó de Garcia Lorca a flor intacta;
A cama molhada de suor do último sono de Caio F.;
O prato vazio que caiu das mãos de Óssip Mandelstam;
Os círculos na água provocados pelo corpo de Paul
Celan…

Devo parabenizá-la por estes momentos de uma estilística
sempre surpreendente,
somente às vezes ofuscada pelos lampejos precários desta
luz fraca que caminha nas capas…

.

.

Comentários:

a poesia, ao não conversar com ninguém, conversa com todo mundo. daí o perene “contornos de névoa” de toda poesia q não é reprodução de prosas mal acabadas. marcelo ariel luta por essa palavra numa guerra sem fim. isso q é apenas um “buraco da árvore da linguagem”. o essencial q se esconde. e apenas raramente aparece. e aparecendo deve ser eliminado. calado, esquecido. tocar a poesia como faz marcelo ariel é perigoso. não apenas a linguagem fica nua, não apenas o real estremece como a água depois da pedra, mas há algo de insolente nessa passagem do poema por um território de poetastros e poeminhas. entre nós “algo imensamente raro” costuma ser silenciado. cabe a alguns tentar manter essas “águas sonhando” longe das malhas devoradoras do poder da oligarquia das letras. sim, “as coisas são um incêndio” e marcelo ariel sabe manter o fogo acesso na nossa idade do gelo. “Lá fora/o poder de/um fantasma/destrói o mundo”. e o poema entra em guerra porq apenas ele pode fazer frente a isso. ele mesmo, isso q de tão frágil, não pode sequer ser tocado. ele sabe, a poesia sabe, q “a verdade é impossível com a linguagem”, q o diálogo é impossível, mas assim mesmo continua. é essa a força do poema de marcelo ariel: resistir mesmo sabendo q, por perder, já ganhou. como no poema “o paradoxo”, onde tudo gira em torno, e se abre ao enfrentamento essencial da arte, esse q querem substituir por um silencio atordoado, seja das mídias, das pedagogias, das teorias castradas. e todas as matérias, poetas, linguagens, raivas, deslumbramentos, delírios, teatros, filosofias, artes chegam pros poemas de marcelo ariel, poemas plásticos, construídos por um delírio lúcido q apenas um poeta pleno consegue atingir, apenas a poesia consegue ainda erguer das mediocridades. este é um livro q resgata a “vida secreta”, esquecida, do fazer poemas em guerrilha, em surdina, poemas q passam a fazer parte da nossa visão de mundo, do nosso viver e elevam o patamar rasteiro e silvestre da “poesia nacional”. e o silêncio de emily dickinson torna a invadir sem se repetir, pois já não há diálogo possível. os poemas se instauram como olhos. marcelo ariel, “no mesmo não-lugar atemporal dos Nomes-Nume lendo a árvore”, continua uma conversa antiga, partida, devorada, agora retomada por quem sente falta das grandes forças. enfim poderemos, mais uma vez, atravessar a morte, com alegrias e tristezas, longe do torpor dentro dos desertos q criamos.

Alberto Lins Caldas

.

.

.

Temos, nesse Conversas com Emily Dickinson, o encontro entre uma poeta (1830-1886) que não se entrega fácil, buscando o inefável numa dicção elíptica, quase balbuciante (a gramática normativa tem muito que aprender com a poesia pura), em imagens onde a natureza é mística – nunca religiosa – e um poeta que, ao contrário, convoca todos os espectros, objetos, presenças pesadas da cidade que ele atravessa em seu passo único, essencial para ir além do construído e chegar ao real, isto é, ao sentido até então oculto daquilo que parecia ser tão raso não fosse a poesia e seu olhar de microscopista. Entre o que emana da norte-americana do século XIX e o que vocifera no brasileiro do início do século XXI há convergências que só a poesia conhece. E o leitor de poemas, naturalmente, identifica.

Marcelo Ariel é um jovem – para a literatura feita de lirismo, 42 anos é juventude – que brotou do chumbo no ar da realidade dura na qual sobreviveu com uma luta nada lírica, e que chegou até o território da selvagem sabedoria de resgatar-se e à sua humanidade pela palavra, amadurecendo, assim, bem antes do previsto. Seu verso é sua cachaça (o crítico pede licença para parafrasear Drummond). E nele ele pode entregar o máximo do que carrega e daquilo que igualmente o carrega – embora sem calá-lo –: “preferindo os tormentos / do espírito como vícios / que nenhuma razão desintegra.”

Emily Dickinson encontrou um interlocutor capaz de escutá-la e de lhe dizer. Cabe a nós, leitores de ambos os poetas, a coragem de entregar-nos à emoção que esse testemunho, através deste livro, nos causa. Meu conselho: faça como eu. Mesmo atingido, desde o 56o verso, pela força enorme da expressão, continuei em frente, até o fim. E terei ainda forças de recomeçar, pela releitura.

Paulo Bentancur