
Um dos mais novos poetas a entrar para o selo Orpheu é o poeta Wilmar Silva. Considerado pela crítica um dos nomes mais fortes da nova geração da poesia brasileira, Wilmar Silva integra esta coleção com sua poesia transgressora.
Wilmar Silva nasceu na cidade de Rio Paranaíba (MG) em 1965. Vive em Belo Horizonte desde 1986. Poeta, ator e perfomer, vêm chamando a atenção da crítica por sua poesia transgressora, inventora de linguagens, criando o seu próprio “dicionário poético” como escreve o crítico Leonardo Magalhaens. Publicou alguns livros de poesia, entre os quais: Çeiva (Brasil, 1997), Pardal de rapina (indicado por Aécio Cunha/jornal Hoje em Dia, Belo Horizonte-MG, como um dos três melhores livros de poesia publicados em 1999), Arranjos de Pássaros e Flores, (Brasil, 2002), Cachaprego (prêmio Capital Nacional Sociedade de Cultura Latina do Brasil, Aracaju, Sergipe, Brasil, 2004), Anu (Brasil, 2008), Estilhaços no Lago de Púrpura/ Astillas en el Lago de Púrpura (Brasil/ República Dominicana, 2009), Estilhaços no Lago de Púrpura/ Lágrimas en el Lago de Púrpura (Argentina, 2009), Yguarani (Portugal, 2009), Silvaredo (Brasil, 2010), Estilhaços no Lago de Púrpura/ Astillas en el Lago de Púrpura (República Dominicana, 2010). Encenou performances com pesquisa de linguagem física sonora: Afrorimbaudelia, Subida ao Paraíso, O sétimo Corpo, Ee Tu Mao, Eusmaranhados, Neonão. Participou das antologias: Antologia da Nova Poesia Brasileira (Brasil), A Poesia Mineira no Século XX (Brasil), Oiro de Minas a nova poesia das Gerais (Portugal), Máscaras de Orfeo (República Dominicana). Editor/fundador da editora Anome Livros e organizou as antologias: O achamento de Portugal (Anome Livros), Terças Poéticas: jardins internos (Fundação Clóvis Salgado). Curador do projeto de poesia Terças Poéticas (Secretaria de Estado de Cultura, MG). Trabalha no projeto de pesquisa de poesia Portuguesia: Minas entre os povos da mesma língua, antropologia de uma poética, 1º. ensaio em livrodvd com 101 (cento e um) poetas de Portugal, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Brasil (Minas Gerais), publicado em 2009. Faz o programa de poéticas sonoras Tropofonia, um laboratório de sons e palavras, rádio educativa UFMG (104,5). Blog: www.cachaprego.blogspot.com.
Pelo selo Orpheu, Wilmar Silva, está relançando os livros Estilhaços no Lago de Púrpura e Cachaprego, dois livros que simbolizam o melhor de sua poesia.
Abaixo, fragmento dos dois livros:
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devasso como um cavalo no pasto sem égua,
quem é você que diz calado cavalgar a noite/
e cavalgar a noite é como cavalgar os poemas
que escrevo com sangue neste lago de veneno/
é minha esta corrente de púrpura de sangue/ eu
sou esta represa onde peixes nascem da terra,
no ermo eu sou esta ave ferida de verde/ eu
caço você e caço a face e caço a alma, eu
o mesmo com lágrimas e orgasmos, uma íris,
umas retinas para trazer os olhos à tona/ eu
este wilmar silva que vira cavala eu cavalo
(Estilhaços no Lago de Púrpura)
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ladoalerdoum mosquito quefesteja umamecha é o mesmo quevem de algumlatido
ladrando meu calcanhar de peregrino que avança um sinal meio a desatino eu que
serro na motoserra de caminhar em localdaerisco arroisco a juriti presa alinhada
aofrontaldoadro umganidode coito e que coiotse é meuálibi de anislis entsredes
que precoces mostram os juelhos as coxas de visgo para esfaquear avloupia e
lavouram todaretina que resvala para o meio cerradoserrano da espécie que imam
osdedos as línguas salivasalobralisa medra uma poça desuorcitrino na dançaárida
vem olodosangue de umanimal que leva nos punhos a mesma lata para cima e
depois a mesma lata para baixo agranizoa pontaesguiadonariza frente daparede
que sobe a secoserpente pelo espaço de vergasta e guinchos que emperram
as plantas adospéspisadosemespinhos e mais o sabor suadode sabom abacateadso e
a lêndeas que se apropriam renteatesta a mesma antena quesuspende os campos
molhados dos cabelos penteados entre dedoscaleados avapor ecalor oodor que
nasce entre plumas e axilas
(Cachaprego)